15 dezembro 2006

 

15 de dezembro de 1996


Provavelmente um dos dias mais felizes da minha vida. Eu tinha 14 anos, estava no 1º ano do segundo grau do colégio São José, não tinha namorada e minhas maiores diversões eram jogar bola, o Grêmio e meu SuperNintendo. Já tinha visto o meu time ser Campeão Gaúcho, da Copa do Brasil, da Libertadores e até sentido o desgosto de perder um Mundial de Clubes( que na época era chamado de "final em tóquio") nos pênaltis pro todo poderoso Ajax, de Overmars, Davids, De boer, Kluivert e cia. Mas nunca tinha visto o Grêmio vencer o Campeonato Brasileiro. Era o fim do ciclo do Felipão no Olímpico e de diferente do time da Libertadores só mesmo o Zé Alcino no lugar do Jardel. Naquela época todos jogavam contra todos em turno único e os 8 primeiros classificavam para os mata-mata como diziam.O Inter nunca classificava e na última rodada, nos céus de Poa, passava um aviãozinho levando uma faixa com os dizeres: ELES estão fora!
No primeiro confronto eliminatório meu time pegou de cara o Palmeiras Parmalat, velho freguês. Ficaram pelo caminho, de novo. Na semi-final pegamos o Goiás. Não foi páreo. Ganhamos de 3x0 lá em Goiânia. Depois disso quando vamos lá no serra dourada não saímos com menos de 4 nas costas . Fizeram uma mandinga contra o Grêmio lá eu acho. E chegamos na final contra um time cheio de revelações. Clemer, César, Capitão, Gallo, Zé Roberto, Alex Alves e Rodrigo Fabri. Alguns começando suas carreiras no futebol e outros pela primeira vez com destaque no cenário nacional. Até o treinador era revelação: Candinho. Antes de chegar a final, esse time tinha entristecido Minas Gerais inteiro, eliminando Cruzeiro e Atlético. Hoje em dia a Portuguesa está falida, e se segura com todas as forças para se manter na Série B do Campeonato Brasileiro. No primeiro jogo, no Morumbi, 2x0 pra Lusa, ao natural e o Grêmio ainda teve um jogador expulso. Precisaria do mesmo placar no Olímpico, devido a melhor campanha.
Me lembro como se fosse hoje. Meu pai morava em Porto Alegre e eu liguei pra ele: -Pai, o Grêmio tá na final do Brasileiro. Quando começarem a vender os ingressos vê se compra logo porque vai lotar. Falei isso com uma angústia no peito. Meu pai não acompanha futebol, não torce pra ninguém e ainda odiava o Danrlei. Só pra implicar comigo eu acho. O jogo em São Paulo foi na quarta de noite e no domingo já era a final. Cheguei em Poa na sexta ao meio dia e ele foi me buscar na rodoviária. Tava com medo de perguntar: -Pai, e os ingressos? Mas ele já foi logo dizendo: -Mano, tava ocupado demais esses dias e não tive tempo de comprar os ingressos... aquilo caiu como um balde de água fria. Tive vontade de chorar. Fiquei em silêncio, olhando pra baixo. Não acreditava. Aí ele me pede pra pegar alguma coisa no pára-sol(aquela coisa que as mulheres usam mais pra se olhar no espelhinho). E pra minha surpresa, o ingresso cai no meu colo. Fiquei mais feliz que o gurizinho que acha o cartão dourado pra visitar a fábrica de chocolate do Willie Wonka! Nunca vou me esquecer daquele dia. 15/12, 26/11, 09/04, quantos dias inesquecíveis o Grêmio me proporcionou. O jogo? O jogo todo mundo sabe como foi. A imagem da bola do Aílton balançando as redes do Clemer nunca vão sair da minha memória. Mas pra mim o que mais valeu foi essa história de 11 anos atrás.

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